
A verdadeira natureza do tempo continua sendo um dos maiores mistérios no estudo das ciências físicas. Constitui uma dimensão perceptível tão somente pela sua passagem, nós e toda matéria percebemos seus efeitos. O homem há milhares de anos desenvolveu vários métodos para medir o tempo. Inicialmente associou os ciclos lunares e solares, as épocas de caça, e as estações do ano, posteriormente, verificando que havia também uma correspondência entre a Lua e os ciclos femininos, ligou-os a uma série de cultos religiosos. Com o passar dos séculos voltou-se ao Sol e desenvolveu os relógios solares e os calendários, para poder contar o tempo diariamente e assim permitir a sua melhor utilização. Criou além desses, muitos outros meios arbitrários para tentar calcular sua ação, mas nada, além disso. Durante milênios ignoramos o seu real papel deixando que a filosofia e a metafísica cuidassem dele.
A questão do tempo somente veio ser abordada claramente por Einstein na sua Teoria da Relatividade. Nessa teoria, ele define que tempo e espaço compõe uma só entidade denominada tempo-espaço, que podem ser influenciadas pela energia, pela massa ou pela ação da gravidade. Com esse novo modelo, a compreensão das questões do tempo, tomaram novos rumos. Mas para nossas consciências, na verdade, o futuro é um manancial de probabilidades, cientificamente inexpugnável. Mas alguns fatos que unidos aos novos avanços da mecânica quântica podem nos dar pistas sobre o que é essa entidade chamada tempo.
A equações e os efeitos observados pela física quântica no tempo, reagem de uma maneira muito particular. Tais resultados, por vezes, chocam o bom-senso dos pesquisadores. Para a física quântica, o tempo é visto como sendo uma entidade muito maleável (com partículas viajando em tempo igual a Zero à todos os lugares possíveis no universo)
Porém, o grande problema tanto na Teoria da Relatividade como na da Física Quântica é que não interessa para qual lado olhamos as equações – se na direção do passado ou do futuro – as respostas das equações não se alteram, o que é incompatível com nossa experiência diária.
No entanto já existem casos em que há uma séria dúvida se o conceito de simetria (tanto faz para qual lado olhar o tempo) pode ser aplicado. Há na física, meios que, unidos as equações da física quântica pode ao menos parcialmente, dar pistas dos efeitos do tempo e a sua real natureza, a termodinâmica. Ela possui princípios básicos e simples. As suas leis governam todo o processo das relações entre energia e calor no universo, por exemplo:
A Lei da Conservação de Energia: A energia de um sistema é igual à energia produzida nele, somada a energia desperdiçada na ação realizada.
O Princípio da Entropia: no qual o nível de desarranjo de um sistema qualquer (caos), aumenta no decorrer do tempo.
De todas a mais interessante para o estudo e compreensão do tempo é sem dúvida nenhuma o Princípio da Entropia, pois mesmo que tentemos aplicar a simetria do tempo em suas ações ele não responderá. Independente do que façamos, a entropia sempre crescerá, isto é, ela só caminha em um sentido do tempo, o futuro. Tal constatação tem fascinado os pesquisadores há várias décadas desde que foi formulado.
A entropia assim como o tempo, avançam inexoravelmente em direção ao futuro. Qualquer experiência por mais simples que seja aumenta a entropia em virtude das perdas pela ação realizada. E como o tempo, ela avança para o futuro. Podemos afirmar que de alguma maneira, talvez, estejam ambos os eventos interligados.
Existe uma teoria, que trata o tempo e a entropia interligados por meio da idéia levantada por Einstein da entidade espaço-tempo da Teoria da Relatividade. Sendo a gravidade importante na Relatividade e sendo também, uma das forças que mais fazem crescer a entropia em qualquer sistema (fato exposto longamente por Roger Penrose em seu livro, A Mente Nova do Rei, Ed. Campus), salta aos olhos mais atentos que, nesse ponto, por ventura, deve esconder-se a real natureza da tempo e da própria entropia. Na verdade considerando que as propriedades da entropia foram determinadas no nascimento do universo podemos especular que o próprio tempo sofreu as mesmas determinações, e ambas estão intimamente.
Da mesma forma que a entropia está interligada às razões de massa e energia expostas na Teoria da Relatividade Geral podemos afirmar que possivelmente o tempo está intimamente ligado a geometria do nosso universo. Na verdade, podemos ir mais longe e pressupor que o tempo e a entropia são aspectos geométricos nas equações de uma mesma entidade que poderíamos chamar de espaço-tempo-entropia. Mas claro que essa possível explicação nada mais é do que uma teoria ainda. Esperamos que em breve tenhamos mais resultados a apresentar.
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Bjs
Alex
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